Lá em casa também

Por: Marianna Abdo

“Ninguém nunca achou lá em casa que era fácil viver, por isso o difícil assustava, mas não nos metia tanto medo assim”

Toda segunda-feira tomo a minha dose semanal de Eliane Brum. Tudo bem, às vezes tomo só na terça. Mas desde que conheci seus textos não fecho a semana sem ler sua coluna publicada às segundas na Época.

Para mim é um remédio para a vida. Uma sensação de que não estou sozinha e de que há mais gente por aí se indignando, olhando em volta, buscando exemplos.

No Congresso da ABRAJI do ano passado tive o prazer  de ouvir a Brum falar sobre a morte. A palestra confortou meu coração recém ferido pela perda de uma tia querida. Aquela “aula” foi o que mais me ajudou a entender o luto, a respeitar meu tempo, minha dor e passar por aquilo tudo sem pressa. A pressa que a sociedade cobra das pessoas que passam por um luto. A pressa que não deve existir.

Na coluna de ontem, a frase do topo desse texto me chamou atenção. É sempre difícil escolher só um trecho e essa semana não foi diferente, mas escolhi esse como o meu preferido. Porque lá em casa as coisas sempre funcionaram assim. O dífícil sempre assustou, mas ninguém tremia num canto. A postura sempre foi mais pro “pode mandar”. Nunca ouvi ninguém dizer “eu não aguento”.

Eu disse uma vez. E até para mim aquela frase soou estranha, como se não tivesse saido da minha boca. Aguentei. E depois de novo e depois mais uma vez.

Foi difícil, mas não me meteu tanto medo assim.

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5 Comentários

Arquivado em Marianna

5 Respostas para “Lá em casa também

  1. Sabrina Daspett

    Lindo texto, Mari!!!! Acho que é isso mesmo. O medo existe, mas ele não é tão grande que nos faça fica inertes. Como sempre digo, nada vai mudar se a gente tirar o sorriso do rosto, então, vamos continuar sorrindo que vida só tem uma mesmo.

  2. Cada um sabe o peso da dor e dos conflitos que carrega. O importante é saber dividí-las quando necessário e não pirar (ao menos tentar).

  3. Eliana

    Quando pensei que não aguentaria, olhei para você e me enchi de força, resistência , coragem e amor pela vida! Te amo

  4. Seu post é um marco e sei que compartilhamos da mesma sensação de êxtase hoje. Parabéns, companheira!

  5. Tô atrasado e sei que muita coisa aconteceu. Sem medo. Apesar do roteiro dramático, a gente tá aqui pra ser feliz.

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