Tum tum que bate no céu

Por Juliana

Não sei vocês, mas consegui ver o eclipse ontem apenas pelo youtube. Estava trabalhando, desci, andei três quarteirões e nada. Muitos prédios, sabe? Coisas da modernidade, precisamos fazer aquele esfooorço pra estar em contato com a natureza.

Porém, na volta pra casa, lá estava ela. Cheia. Cheia de vida. Percebi o quanto a lua se parece com nossos corações. Pulsa pro mundo como o coração dentro da gente. Ontem ficou laranja, vermelha. De paixão, talvez? Acelerou tanto que quase não coube dentro de si e ficou a pouco de explodir? Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Quem nunca se questionou “mas parece que a lua está tão perto!”. Criança que estica o braço pra alcançar. O coração também, não sai daqui de dentro e às vezes parece que voa longe atrás de um sonho, volta realizado, depois fica triste, ao mesmo tempo sai pela boca e parece que quase fica mais perto do nosso controle. Como se pudéssemos alcançar o mistério de qualquer um dos dois.

Acelera. Fica tímido. Medroso. Sempre lá. Aqui dentro. Como a lua, presente, mesmo que a gente não se dê conta a todo momento.

O coração tem o que aprender com a lua. Ora cheia, ora quase nada. Mesmo que seja só uma percepção do nosso olhar, ainda assim é uma forma de se mostrar pro mundo. E assim como ela se apruma sem constrangimentos e de acordo com a fase dela, e não pelo gosto da plateia, também é o coração. E não é bom ou ruim, mas um acontecimento da natureza.

Vi durante o eclipse o quanto de cuidado precisamos dispor aos corações. Eles podem abrir ou fechar de acordo com o movimento do mundo também. Ferido, está mais pro contorno da lua nova, com um espaço doído e inseguro dentro. Animado e ganhando forças, vem os traços mais discretos da minguante ou da crescente, a gente às vezes nem repara, tá quietinho, mas tem uma boa parte desejando ser preenchida. Apaixonado, lua cheia. Pulsa clarão e irradia pra longe.

Não tem segredo. Quer dizer, tem muitos. Cada um vai enxergar e observar com os próprios olhos, diretamente da alma. É melhor sentir do que entender. Improvável explicar pro eclipse que o tempo dele é curto, que ele arde no vermelho, mas logo logo o dia nasce. E mais vida, e outros corações, e novas formas de ser e de se mostrar.

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4 Comentários

Arquivado em Juliana

4 Respostas para “Tum tum que bate no céu

  1. Renata Thomaz

    Lindo texto prima…arrepiou………e vai se preparando o próximo será em dezembro : )

    bjinhos!

  2. Ai, estiquei o braço, mas não alcancei… nem o coração, nem a lua. A lua muitas vezes é mais tangível que certos corações. Morri com o texto, nos encontramos na próxima vida.

  3. Ewerthon

    q lindo kirida! mas naum vi a lua… rs… terei q olhar pro meu coração!!! rs…

  4. E eu que não sabia que tinha eclipse? Saí do metro a lua tava de um jeito. Fui a pé para casa ela estava mais ‘completa’. Fui pro inglês quase toda cheia, voltei da aula e a Lua estava cheia cheia. Como em dia de São João 😉 Lindo texto, Ju, emocionou!

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