Medo aos 20 anos…

Eu estava com um medo tão grande de não voltar que aceitei trocar com minha colega de trabalho e fiz a oração matinal com o pessoal da Associação. Eu estava com um medo tão grande de não voltar que fiz uma lista mental de para quem iria deixar cada uma das coisas que eu possuia. (Mas o medo me deixou tão mais burra que eu não deixei escrito, a Mãe Diná teria que conversar com meus parentes para saber que meus livros são para o Centro Cultural, meus olhos para minha avó, minha poupança para meu afilhado e minha irmã – como seu tivesse muito –  todos meus rascunhos e histórias começadas para a Ju e Mari tomarem uma providência).

E eu estava com um medo tão grade de não voltar para ele… Minha mãe ficou comigo até a hora da cirurgia. O médico me prometeu no mínimo três filhos, minha mãe falava para mim como economizar para o casamento, as fórmulas contratuais. Aquilo, confesso, só me deixou pior. Só conseguia mesmo pensar nos meus três futuros filhos.

Foi tão ridiculamente simples que eu fiquei até com vergonha do medo. Mas bem que o médico disse após a operação e o efeito da anestesia: “Seu útero está seguro. No mínimo três, hein?”. Eu estava tão preocupada que segunda fui disparando e-mails para todos da Associação, imagine, eu delegando tarefas!

Eu estava com tanto medo que pedi para Jacque avisar a Ju que alguém precisava postar algo na terça, porque na terça eu seria operada… Confundi meu dia de postar. Eu sou de quarta. O Dia depois de Amanhã. O dia que voltei. O dia que nem fui.

Se me dissessem que meu último dia de vida é hoje, eu não sei o que faria. Existem mais de mil livros para ler, mais de mil filmes para ver, mais de mil lugares para conhecer nesse mundo. Quantos beijos ainda tenho para dar? Quantas pessoas ainda preciso ajudar? Quantos sorrisos preciso oferecer, e quantos mais receber?

E meu avô cobrando meu casamento, e minha irmã cobrando que eu realize meus sonhos, e meu namorado cobrando que eu seja forte, minha mãe cobrando que eu seja feliz. Tenho muita coisa para fazer nessa vida. E eu tenho pela frente (daqui muitos anos) três pimpolhos para dar amor.

Bom estar de volta, mesmo que por um dia ‘fora’. E para vocês: uma definição poética e musical de Medo. Por Lenine e Julieta Venegas!

Bel: escreve às quartas e aos sábados. Mas às vezes confunde, principalmente quando está com medo.

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11 Comentários

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11 Respostas para “Medo aos 20 anos…

  1. Sheila

    Linda! é muito bom te ler. É muito bom ter vc entre nós. E espero seus 3 filhotes para brincarem com a Analu…. Beijos

  2. Oi, Bel! Não sabia da sua cirurgia! Mas pelo visto foi tudo bem. O medo potencializa nossas fragilidades, nos deixa cegos para a vida.
    É lindo o seu desejo de ser mãe! E espero que Deus te abençoe no momento certo com lindos anjinhos!
    Parabéns pelo texto! Adorei perceber seu aprimoramento na forma de escrever, que sempre foi bacana, mas agora está ainda melhor!
    Um super beijo!

  3. Só comento nos da Mari, mas esse mereceu! Eu já fiz alguns testamentos mentais (meus livros, por exemplo, iriam para a Mari, a única que os trataria como eu) e nem operar eu operei. Que bom que você voltou da viagem que nem fez!

  4. Ai, Bel… chorei! Meu coração ta fraco pra essas coisas haha
    Texto lindo!
    PS: O medo confunde mesmo!

  5. Juliana

    Bel, pra mim, com esse post, você acabou de perder o medo de se mostrar. E por isso ele ganhou minha preferência.
    Sobre o assunto, como é delicado né.. vivemos arriscando nossos sonhos, mas às vezes só nos damos conta quando não depende muito do nosso controle.
    Uma vez, escutei essa frase e nunca esqueci: medo é ilusão. Difícil, né? Mas é incrível como passa e parece que nunca existiu mesmo.
    Parabéns, corajosa!

  6. Ju e Mari, mais incrível que gostarem do meu texto foi as duas me chamarem (com segundos de diferença) no Gtalk para dizer “Estou chorando aqui com seu texto de hoje”. Obrigada pelos elogios e pelo incentivo =) Sou mais forte com tantos/as amigos/as por mim!

  7. oi, Bel,
    Parabéns pelo texto….normalmente, penso em todas essas coisas quando me surge uma dor estranha. Alías, que medo tenho de doença e quantos tratamentos já fiz. É isso aí. Vencendo e enfrentando nossos medos a cada dia.
    bjão

  8. Jacqueline

    Texto lindo, Belzinha! Sua técnica só melhora com o tempo.

    Tenho algo a confessar: você também me deu um baita medo de perder uma amigona com aquela mensagem!

    Eu também faço testamentos mentais (como se eu tivesse muita coisa), só preciso de um tempo para colocá-los no papel.

    Agora uma dica da amiguinha: estou sentindo falta dos seus textos que começam com perguntas. Eles eram praticamente sua marca registrada, lembra? Por que você não escreve um texto sobre isso, relembrando os velhos tempos (me senti a idosa agora…hahahahaha)

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