Eu não conhecia Amy

Por Juliana

Em nenhum sentido. Não era amiga íntima, prima distante e nem fã. Chuto que não sei quais são as músicas dela se me colocarem pra ouvir aleatórias. Exigo respeito pra minha ignorância. E faça o favor de respeitar a morte dela também.

Assim como fui contra aquele bando que comemorou a suposta morte do Bin Laden, discordo de besteiras que ouvi de novo por aí. Vejam vocês que discursos são plantados de algumas cabecinhas nada férteis e reproduzidos incansavelmente.

No metrô: “Já vai tarde. Mau exemplo. Tenho adolescentes em casa.”

No facebook: “Não lamento a morte de que não cuidou da vida.” Algo assim.

Na TV: “Uma vida levada ao limite.”

Poderia falar de vários aspectos, mas pra não ficar post-Bíblia vou focar um só:  desista, ninguém conhecia Amy. Simples assim. Nem a gente se conhece 100%, que dirá os outros?

Atire não uma pedra, mas um meteoro em cima de mim se você nunca se viu perdido, aflito, confuso, indeciso, com medo, numa situação desequilibrada.

Não é apologia. Se droga fosse bom teria outro nome, mas você sabe os motivos pra ela beber, fumar, cheirar e sabe-se lá mais o que? Você sabe os próprios monstros que ela enfrentava todo dia? Sabe se dinheiro e fama satisfaziam? Ou qual era o real controle que ela conseguia exercer sobre a própria vida? Se ela não teve ou não quis ter (vai saber) força ou vontade pra encontrar outro caminho, o que eu e você temos a ver com isso?

Quer dizer então que se a Sandy-vida-exemplar morrer o discurso moralista da senhorinha do metrô vai ser diferente? Não entendo. Se queremos debater o uso de qualquer substância que altera nosso equilíbrio a um ponto que não conseguimos ter controle, válido. Porém, julgar por julgar, condeno totalmente porque não leva à transformação nenhuma.

Respeito a tristeza dos fãs e sei que continua a admiração pelo trabalho dela. Aos outros, como eu, incluam respeito nas palavras ou fiquem em silêncio. Vá cuidar dos seus próprios monstros e depois me diz se foi fácil.

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10 Comentários

Arquivado em Juliana

10 Respostas para “Eu não conhecia Amy

  1. Mayra

    Adorei! Em especial a última frase!

  2. Eu sinto muito a morte da Amy. Ainda não caiu minha ficha. E a minha tristeza maior, Ju, é que ela nao teve forças para vencer os próprios monstros. Amy fez tudo por amor e isso não é covardia, é nobreza.

    Eu lamento, acima de tudo, que, no final das contas, ela só fez o que todo mundo queria que ela fizesse: morreu. Como fã, eu sinto uma dor imensa e ainda nao acredito que ela se foi…

    Um beijo,

  3. Ainda bem que o que fazemos de bom na vida, não morre com a gente. Então, não perca mais tempo e vá curtir esse som maravilhoso.
    Quanto aos discursinhos moralistas, só tenho uma coisa a dizer: quem não respeita a vida, não respeita a morte.

  4. Vannes

    “Antes de julgar algo ou alguém, se olhe no espelho.”

  5. PH

    As pessoas têm o péssimo hábito de achar que o problema das outras pessoas é ínfimo comparado aos seus.

    Todo mundo erra. Todo mundo sangra. E todo mundo vai morrer um dia.

  6. Marina

    Ju, é maravilhoso acompanhar seus textos e nesse você se superou. Adoro os textos publicados aqui no blog e ainda não tinha parado para parabenizar todas as redatoras 🙂

    Fechou o texto cm chave de ouro, porque é isso mesmo: todos nós temos os nossos monstros.

    Beijo grande,

    Marina

  7. Eu conhecia a Amy. Adorava a maioria de suas músicas e fiquei muito penalizada. Por ela que se foi tão cedo e acabou com si mesma, e por nós que ficamos com sua voz….

  8. Eu conhecia a Amy. Adorava a maioria de suas músicas e fiquei muito penalizada. Por ela que se foi tão cedo e acabou com si mesma, e por nós que ficamos sem sua voz….

  9. Renata Thomaz

    Oi Ju……fiquei pensando nisso ontem!!!! Adorava a música dela e inclusive quando vi ela cantar Rehab pela primeira vez, estava passando de canal e tive que parar e assistir tudo! Ela era incrível, amava as músicas! Infelizmente não soube enfrentar seus monstros. E o pior é ficar ouvindo de um monte de gente drogadinha falando mal dela..ai é hipocrisia pura…mas enfim, a vida é assim né….o demônio dos 27 anos…rs..bjinhos amei o post!

  10. Maurício Thomaz

    Nossa, traduziu perfeitamente o que penso. Ela viveu à maneira dela, que só a ela cabe julgar – sei lá onde – se valeu a pena ou não. Muito fácil cuidar dos “monstros” dos outros quando os próprios monstros estão à solta.
    Em minha opinião, o mundo perdeu uma voz rara, perdeu um pedacinho de música. E só.

    Adorei o texto, Juu! 🙂

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