Arquivo do mês: agosto 2011

Por onde você vai?

Por Juliana

Pode ter status, ser bacana, preencher rotina, parecer atraente e tantos estereótipos que se inventam, mas fazer alguma coisa por conveniência nunca foi minha praia. Sai pra lá comodismo.

Tenho ouvido de amigos frases como “existe um vazio”, “sinto falta, mas não sei do que é”, “quero um mundo novo, recomeçar”. E fico me perguntando que vazio é esse cada vez mais difícil de preencher, de onde surge esse buraco. O que vocês acham?

Eu acho que é falta de paixão. Falta de se conhecer a ponto de saber o que te faz falta e, portanto, o que você espera, quer e acredita que essa doidera da vida vai proporcionar.

Ter a noção do que se quer minimiza os riscos ou, pelo menos, as chances de se frustrar com eles, porque, apesar de a gente bater o pé às vezes loucos pra adivinhar o futuro ou reverter o passado, isso aqui não é brincadeira, mas sim tentativa e erro, sempre vai ser, nós conscientes ou não. E é um movimento sinérgico porque encontrar-se dentro de si mesmo é inevitavelmente entender seu espaço no mundo.

Porém, morder a realidade não é tarefa fácil, diga lá! Para alcançar conhecimento, conte com sites, portais, iphone, ipad, jornais etc. Mas inteligência emocional, meus camaradas, ou a gente entende que vem lá da educação das crianças ou continuaremos colhendo como frutos essas relações, no mínimo, vazias e, na minha concepção, extremamente complicadas.

Porque simplicidade só o amor proporciona. Só o amor te projeta para o conhecimento do que realmente pulsa. E amor não é algo que a gente descobre o significado jogando no google. Sem chance. Amor só sabe o que é quem já sentiu. E é risco, frustração muitas vezes, se jogar em sensações desconhecidas, ver o dia turvo, não entender certas realidades desconexas, mas, pra mim, isso que é viver o pulsar da vida. E essa é a principal diferença entre quem quer sentir e quem prefere ficar de fora.

Há dois caminhos e infinitos riscos, desconhecidos e incalculáveis. A escolha, como há de ser, é de cada um de nós.

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Avó é mãe sem cobrança

Por: Marianna Abdo

No post ’24 agostos’ cometi o erro imperdoável de esquecer de outro presente que agosto me deu: a “vó” Nina. É por isso que hoje, um dia depois do aniversário dessa leonina incrível e, por sugestão de um novo leitor do blog, vou falar da dona das mãos mais macias e quentinhas que já toquei.

O post de hoje é para todas essas lindas que nos enchem de mimos. É para as minhas duas avós que fizeram papel dos avôs que eu não conheci. É para os netos e para os avôs que ainda seremos. Afinal, avó é mãe sem cobrança.

Ontem após o 84º “parabéns pra você” da Nina, eu disse: “Bem, são 84 anos muito bem vividos”. Ela fez um gesto de “mais ou menos” com a cabeça e isso me fez lembrar de quem é a minha “vó”! Não interpretei como uma insatisfaçao negativa, de quem chega na velhice achando que viveu mal. Vejo esse gesto como uma vontade de chegar mais longe, de querer mais, conhecer mais, descobrir, explorar, não parar. É o que pra mim ela busca em cada passeio, conversa, dor e em cada um dos livros que ela lê.

Uma das lembranças mais lindas que tenho da minha infância é de um dia que ela chegou da rua com um lápis novo pra mim e meu irmão achou bonito. Bastou o olhar dele, que talvez nem fosse de tanta cobiça assim, para ela virar as costas e dizer: “Vou buscar um pra você”. Alguém disse que aquilo era bobeira, que ela podia deixar pra outro dia, que tinha acabado de voltar pra casa e ela disse: “Eu vou, eu sou doida”. Sim, doida por nós!

Do apoio que recebi dela em cada decepção amorosa, guardo a frase repetida sempre: “Mari, não é por causa de um soldado que acaba a guerra”. Não é mesmo, vó. Se o soldado voltava, ela não julgava, apenas sorria e dizia: “Ruim com ele, pior sem ele”. Nem sempre, mas é um bom remédio para o momento.  

E, ontem, em plena segunda-feira mais um diálogo que não vou esquecer:

“Mari, hoje é segunda?”

“Uhum”

“Que pena, se fosse sexta poderíamos ir num barzinho”

Isso pra mim é viver.

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Poema sem nome

Por Juliana

Um passo, a cabeça
Feito.
Mas, no peito, cadê a graça?
Minha, sua, essa alma.
E se pra mim fosse e apenas pra mim
Traduziria só em tristeza
Mas, se é amor, e pro tudo,
Há de espelhar algo de beleza
No hoje, passado perto
Agora, presente longe
Passa.
E fica, inteiro
Partes, metades
Silêncio frio
Mais nada.

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One by One

Esse curta da Disney me inspirou muito ontem. Espero que inspire seu sábado chuvoso também.

Achei aqui: amordecolombina.wordpress.com

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Em tempo

Por: Marianna Abdo

Às vezes ser forte é solitário. 

Quem chora pouco de dor, quando chora não é compreendido. Quem chora por tudo, tem sempre um ombro para dizer “tadinh0 (a)”. 

O choro quando é raro é solitário.   

Proteção não deve selecionar. Colo deve ser pra todos.  

Vou começar a gritar.

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Antigo post novo

Por Juliana

Peguei emprestado um post meu mesmo de um blog que tínhamos na época do TCC, gravado na Cidade Tiradentes, periferia da zona leste de São Paulo.

O texto foi escrito em 14/09/2009.

A NOITE EM QUE NÃO VOU DORMIR

Foi um dia tenso na Cidade Tiradentes. Foi um dia tenso na minha vida.

Passar um minuto na Favela Jardim Maravilha faz qualquer um se questionar. Qual o valor da vida de um menino de sete anos que não pode ter um carrinho e brinca de jogar pedra no esgoto a céu aberto que passa do lado do barraco?

Já era noite. Longe da Cidade Tiradentes. Eu tinha conversado com a Grazi pelo celular fazia três minutos. Estava a dez passos da portaria do prédio do meu namorado. Tiros do outro lado da rua. Desespero. Me joguei no chão como quem não tem saída. Lembrei de Deus. Correria. Eu arranhada. E só. Não morri.

Fiquei sem rumo por alguns minutos. Qual o valor da vida?

As crianças do Jardim Maravilha não têm rumo nunca.

Me senti perto da morte. Da violência. Que sensação perturbadora.

E como se sente o menino que não tem o que comer nem onde dormir e sonha com uma casa com pipa, carrinho e sucrilhos?

Por que minha mãe pode me dar um abraço forte e uma bala de côco pra me acalmar? Por que eu posso comer sucrilhos todo dia se eu quiser?

Passei o dia na Favela da Cidade Tiradentes e vi tiro à noite na Vila Mariana.

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Uma história que vi nascer

Música para cortar os pulsos. Amor e música em diálogos de monólogos e discussões solitárias com as mentes e três corações juvenis.

Altamente recomendável para todas as minhas amigas. E amigos também. Sobretudo minhas companheiras de blog, já que assistindo à peça no sábado me lembrava de cada uma a cada fala.

Quanto tempo um coração leva para cicatrizar? Quais as fronteiras do amor? Por que a amizade vira amor e nada é como antes?

Algumas respostas, e muitas outras perguntas, estão na peça Música para Cortar os Pulso, de Rafael Gomes, com interpretação de Mayara Constantino, Victor Mendes e Fábio Lucindo. MPCOP estreou no SESC Pinheiros, ficou semanas em cartaz pelo Festival SESI de Teatro e esta semana encerra a curta temporada no Teatro João Caetano.

Recomendo pois, apesar do título deprê, ela tem muitas sutilezas engraçadas e se trata de uma narração de tormentos sentimentais típicos de jovens adultos e velhos adolescentes.

Risos aqui, cotoveladas alí… A história vende seu peixe com um roteiro ‘amarradinho’ e com um final… Deixa para lá. Dá muita vontade de assistir de novo, o que não é má ideia pois os preços são populares.

Destaque para a estratégia de markting. Descobri a produção da peça não sei muito como (acho que no Tiwtter da Mayara, ou no Sarah Oliveira?)  por meio do blog do projeto (que ainda não sabia se era um site, uma peça ou um filme. Deixei uma mensagem para eles dizendo que já era fã do embrião por acreditar muito nas ideias do Rafael Gomes por causa do ótimo Tudo Que É Sólido Pode Derreter.

Entrei para o mailing e recebia e-mails frequentemente com informações sobre o projeto e o pedido de ‘dicas’ de músicas que me fariam cortar os pulsos. Quem me conheceu na adolescência sabe que sou mestre nisso, passei minha listinha, assim como outras pessoas e fiquei recebendo informações sobre a estreia, a temporada, guardei notícias em jornais e revistas sobre o trio de atores e finalmente consegui uma vaguinha na agenda para assistir a história que vi nascer por meio de minha caixa de e-mails.

Alguém imaginava algo assim há 10 anos?

Estão esperando o que? Acessem o blog do Projeto
e garantam sua chance de ver este espetáculo de nossa geração de 20 e tantos anos…

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