Como escritores se tornam imortais?

Eu tinha 11 anos quando uma nova amiga foi comigo na biblioteca de meu novo Colégio e disse “Leia este livro. Você vai gostar muito. Você não conseguir parar de ler”. Ela estava certa.

Nesta época eu ainda não estava acostumada a ler livros que as professoras não tinham pedido e Harry Potter ainda não tinha atravessado o Oceano. Mas depois deste livro eu descobri uma fome que eu não tinha, que me fez ler todos os livros pedidos pelas professoras antes das temidas provas serem marcadas. Fora ler os livros pedidos para minha irmã caçula e mais um ou outro que apareciam pela minha frente (que não fossem muito grandes, confesso).  Minha mãe também me mostrava muitos livros que ela tinha lido na adolescência e achava fundamental que eu lesse.

Daí que numa quarta-feira quente de julho após um dia de trabalho e um misto quente na Comedoria no novo SESC Belenzinho fui me jutnar a cerca de 10, depois 30, depois 50 e na última contagem 80 pessoas de 8 a 80 anos ( e eu não estou brincando) que se sentaram na Biblioteca do SESC para ouvir: Pedro Bandeira, o autor daquele primeiro livro que li por prazer aos 11 anos.

Pedro estava ali para falar sobre seus livros favoritos e como a leitura se transforma em escada para o crescimento de uma pessoa. Pedro vem de uma geração que li por diversão. Filho temporão “jogava futebol de botão comigo mesmo”  descobriu nos livros de avetura aliados para passar o tempo e aprender.

O escritor começou a vida como jornalista e ator. Por acaso passou a escrever historinhas infantis para Editora Abril e daí para o primeiro livro não demorou muito. Dentre os livros e autores preferidos de Bandeira estão:

O Prícipe e o Mendigo, As Aventuras de Tom Sawyer, gibis do Tarzan, Monteiro Lobato, Os Três Mosquesteiros, Dom Quixote, Moby Dick, O Tempo e O Vento. Com a lembrança dos livros veio também a lembrança dos tempos do Colégio. “Havia o chamado exame admissional, que as crianças faziam para entrarem no ginásio. Na minha cidade, Santos, só haviam vagas para 30% das crianças que terminavam o primário. Ou seja, 70% dos adultos da minha idade de Santos não estudaram…”.

Mesmo assim, Pedro tem muitas aspirações para o futuro sobre a Educação e Literatura… Destaquei algumas frases durante seu discurso:

“Escola não ensina. A função do professor é apresentar e implorar que o aluno estude. Mas ele só irá estudar se quiser…”

“Memórias Póstumas de Bras Cubas não é um livro para um adolescente de 15 anos…”

“Machado de Assis está no mesmo nível de Tolstóii e Dostoievski”

“Me orgulho de ser o escritor dos primeiros degraus na leitura das crianças”

“Um dia, estas crianças chegarão ao topo, lendo Shakespeare, mas terão começado com os livros infantis!”

“Eu quero um Brasil grande. É importante que eu dê a base. Minha vida hoje é estudar a educação e trabalhar por ela.”

“Eu trabalho para que 180 milhões possam produzir melhor e ter dinheiro para consumir o que produz.”

Pedro também elogoiu a iniciativa do SESC de promover a literatura e a cultura de todas as suas formas. Falou sobre a recente adaptação de uma de suas histórias para o cinema “O Mistério de Feiurinha”

“Ligaram para mim assim ‘Somos da Xuxa Produções. Gostaríamos de fazer um filme de um livro seu’. Eu disse ‘Sim, e eu sou Napoleão Bonaparte’ e deliguei. Eles ligaram de novo, eram mesmo da Xuxa…. Só não entendi o que fazia um navio transatlântico num filme de conto de fadas…”

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4 Comentários

Arquivado em Izabel

4 Respostas para “Como escritores se tornam imortais?

  1. Aiii, Bel!! Que lindo!! O Pedro é o meu escritor preferido e referência da minha infância. Que bom tê-lo no 20tantos. Tenho uma cartinha dele me respondendo a pergunta: “Pedro, quais as dicas que você daria para mim que quero ser escritora?”. Guardei com carinho e até hoje leio nos momentos de aflição da vida e da profissão. Beijos. Mari

  2. Ah, que lindo, Mari! Eu mandei uma para o Rogério Andrade Barbosa que escreveu Sangue de Índio, um ótimo livro juvenil com jeito de Pedro Bandeira. A pergunta que fiz foi a mesma que vc! Ele também respondeu, e você me deu uma ideia: vou ler novamente esta resposta!

  3. Juliana

    Adorei, Bel! E como é difícil ser escritor né, outro dia li em algum lugar que escritor é um iniciante que não desistiu. Beijos!!

  4. Bruna Cortes

    Ai, Bel sempre surpreendendo….. a paixão pela leitura sempre foi tão grande que além de te inspirar ainda contagiava, comecei a gostar a partir de você, lembra?!?! …. “Os karas” rsrsrs…

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