Ghost Bike

Começou quando eu era pequena e meu pai me explicou onde era a “Curva da Morte”, numa esquina em nosso bairro onda há anos quatro, ou será três, jovens foram assassinados em suas bicicletas. Passou. Quando meu pai tirou as rodinhas da minha Caloi rosa eu nunca mais andei nela.

Cresci. Apareceu uma bike branca na Aveninda Paulista, no canteiro. Abaixo dela um grafite: Márcia Vive. Passei meses sem ligar muito. Meu pai, num dia que estava comigo, viu e disse “Ah, aquela moça que morreu aqui…”

Xiiii… Pronto eu já fiquei encucada com aquilo.

Há um mês reparei em uma ghost bike (como a comunidade de ciclistas chamam as bicicletas brancas colocadas em locais que pessoas morreram por estarem pedalando “no lugar dos carros”) na Radial Leste. Foi logo depois que aquele executivo da Lorenzetti foi atropelado.

Comecei a pesquisar e vi que as bicicletas brancas são quase tão comuns quanto os ciclistas que vemos por aí. Por que isso? Os motoristas costumam dar a “fina educativa” para “ensinar” os ciclistas que as ruas não são o seu lugar, acabam tirando vidas… Que triste.

São pessoas jovens, pessoas que trabalham pelo desenvolvimento de nosso país, pessoas preocupadas com sua saúde, e com a saúde dos outros. Pessoas que prejudicam seus pulmões para preservarem o ar da cidade. E elas morrem.

Acabei de descobrir quem foi a vítima na Radial Leste…

O Seu Francisco Jander Martins trabalhava como camelô no centro de São Paulo e foi atropelado por um ônibus na última quinta-feira, dia 04/08/2011. Não era diretor de nenhuma grande coorporação, mas também pagou com a vida pela “imprudência” de não estar dirigindo um carro naquele momento. Ele esteve em algumas manchetes de jornais por que atrapalhou o trânsito, quanta ousadia! (fonte: http://vadebike.org/2011/08/mais-uma-ghost-bike-e-nada-pra-comemorar/)

Qual será a próxima? Como dizem por aí, bicicletas nunca tiraram vidas, carros já…

Separei algumas histórias:

Márcia Prado ( a da Av Paulista)

Antonio Bertolucci (Lorenzetti)

Manoel Pereira Torres (o porteiro que morava na favela e foi arremessado há três metros de altura)

Fernando e Antônio (o ciclista e o Gari)

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3 Comentários

Arquivado em Izabel

3 Respostas para “Ghost Bike

  1. É isso ai Bebel. A maioria ainda vence, mas um dia a gente chega lá. “O mal só triunfa quando os homens de bem nada fazem”.

  2. eu mesma comentei no meu post… #medo

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