Arquivo do mês: outubro 2011

Leve-me

Por Juliana

Dia desses, escrevi um bilhete e colei o envelope com ele pra fora. Num outro, passei o número de telefone de um amigo como se fosse de uma amiga e causei a maior confusão. Falo “já te ligo” e esqueço, tenho uns dez e-mails importantes pra responder há três semanas. Não cobrei quem me deve, chego atrasada nos lugares e não consigo me sentir nervosa com absolutamente nada.

Sabe qual é? Estava cansada de mim. Deve ser um movimento natural… uma hora você, sozinho da silva, descobre que dá pra ser diferente. É uma mistura de desapego com alívio, mas nem doi. Comigo não doeu.

Eu me exigiamuitovinteequatrohoraspordiasemrespirar. Pra começar, me sentia responsável por meu irmão com oito anos, sendo que a caçula sou eu. Chorava nas notas 9,75 do ginásio (sim, o máximo era 10). Atravessava o universo pra resolver mal entendido com namorado. Chegava a uma quase mini depressão quando discutia com mãe ou amiga.

Erros realmente não faziam parte do meu vocabulário… e eu classificava tudo como erro. E todos meus. Acho que por ano devia dar uns 400 elefantes de culpa.  Por aí. Pesadão. Mas eu nem ligava, também hoje não classifico como certo ou errado.

Vez e outra, desde que voltei da viagem de férias, sou invadida por um sentimento de saudade muito diferente. Feliz demais porque aconteceu, sem vazios inomináveis por ter acabado.

É de uma leveza ainda incompreendida, por isso escrever tem sido mais duro. Eu sei, eu sinto, mas ainda parece injusto tentar definir em palavras. Talvez liberdade não tenha definição.

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Eu fui

Por: Marianna Abdo

Quando eu disse que ia, as pessoas estranharam. Ir pra mim sempre foi complicado. Ir, ir, ir. Prefiro o vem, vem, vem. Dói menos.

Mas eu sou dessas que um dia acorda certa. Vou dormir sem saber e acordo sabendo. Abro os olhos, levanto da cama e sei. Só sei. Tenho certeza e ponto. É assim.

E naquele dia eu soube.

E foi assim que um dia não fui, que um dia voltei e que dessa vez fui.

E, por ir, conheci o dividir.

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Minhas férias

Por: Marianna Abdo
 
Não importava a escola, a série ou a professora. Todo ano era a mesma coisa. As aulas mal começavam e lá estava a folha em branco sobre a mesa e no quadro o tema da redação: Minhas Férias. Nunca gostei. Mesmo eu que sempre gostei de escrever, achava aquilo uma chatice. Nunca tive férias emocionantes. O que eu ia escrever ali?
 
Era sempre a mesma coisa: um primo em casa ou alguns dias na casa de um primo, os pais trabalhando, aquela deprimente musiquinha da Sessão da Tarde e uma angústia por, agora, ser filha única.
 
É por isso que o post de hoje tem o título das minhas piores redações escolares. Porque esse ano, foi diferente. Não que eu tenha tido férias perfeitas. Longe disso. Mas 15 dias de folga após cinco anos de muito trabalho devem ser comemorados.
 
Além disso, como disse minha companheira de blog, Ju: “Viajar deveria ser classificada como a palavra máxima de todas as línguas e vocabulários”. E sim, lá fui eu para Buenos Aires deixando no Brasil situações delicadas. Mentira, elas foram comigo. Mas por alguns momentos, breves, elas me deram folga.
 
Malba: Já na entrada, na charmosa lojinha do Museu, o batimento do coração mudou. Uma ansiedade para ver Tarsila, Frida e Botero. Coração disparado e lá estavam eles: Abaporu, Autorretrato com chango y loro e Os Viúvos. Chorei.
 
Recoleta: É pedir muito morar em um bairro arborizado, cheio de prédios encantadores e uma igreja linda? E trabalhar como passeadora de cães? De várias raças, cores, tamanhos e comportamentos? Pois é, voltei com meu Plano B de vida.
 
San Telmo: Mafalda. Minha referência de infância. A garota responsável por parte do meu humor, da minha crítica e forma de ver o mundo. Sim, eu tinha um sonho: abraçar sua estátua. Realizei!
 
Tango: Não era a prioridade da minha viagem assistir um mega show de tango, mas hoje indico para todos que passarem pela linda Buenos Aires.
 
Voltei, minha gente! Para as situações delicadas, para o meu Plano A de vida, para Ele e para o 20tantos.

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Ginástica em Guadalajara 2011

Para todos que não assistem TV, ou quando assistem não tiram do Canal 5, algumas imagens lindas da minha modalidade favorita no esporte durante o Pan 2011 em Guadalajara 2011 (México)…


Peguei as fotos aqui: R7

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Com tudo!

Por Juliana

A vontade de escrever, incontrolável.

O receio de não ser capaz de transformar em palavras sensações tão novas e transparentes, real.

Tentar é desafiador e entro nessa daqui pra frente aqui no blog.

Voltei!

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Eu não sabia o que escrever, até atropelar um taxi ontem…

(Parodiando o título da Ju!)

É, não adianta colocar pessoas de amarelo com mãos gigantes nas esquinas, não adianta policiar o bairro todo, não adianta fazer comercial engraçadinho com o homem-faixa, a questão da luta (sim luta) dos pedestres x motoristas é “mais embaixo”.

Uma cidade que, desde que inventaram os carros, foi feita para circulação de carros não pode esperar que do dia para noite as pessoas parem nos cruzamentos, dirijam à 60km/h, dêem seta e essas coisas normais que precisam virar lei com direito a punição para serem respeitadas.

Respeito aqui só é respeito se a ausência dele virar ponto na carteira?

Desde os tempos de escola é assim! Você ganha um ‘x’ na lousa ao lado do seu nome se falar durante a aula, você ganha uma anotação na agenda por causa da nota baixa, por causa da falta de educação com a professora, por não ter trazido o material escolar. Não é ameaçando que se educam pessoas. Sabem por quê?

Por que não adianta! Por que ontem estava o maior trânsito na região da Santa Efigênia (centro de São Paulo, capital) e mesmo em velocidade reduzida e sem espaço para cruzar a rua um taxista resolveu que “dava para passar” e no meio do caminho me encontrou (atravessando na faixa) e me derrubou até do outro lado da rua.

Por sorte não vinha vindo outro carro ao lado dele e deu tempo de me levantar. Se um senhor que estava num bar não chama os policiais em ronda o taxista (que estava sem os documentos e acabava de vir do dentista) não teria parado! Não quis anotar a placa, não quis pegar os dados dele, tão pouco que um irresponsável me levasse ao hospital “Me larga que com você eu não ando!” foi tudo que eu disse antes de meu colega, que estava me esperando por perto dali, chegasse e me tirasse literalmente da rodinha de policiais enormes que só me perguntavam: “Você viu o sinal? Você está machucada? Você viu o sinal? Você está machucada?”.

Sai à francesa e deixei o taxista resolver seus problemas, eu que não iria passar o resto da tarde na delegacia fazendo um BO para não dar em nada…

FicaM aS dicaS: NÃO ATRAVESSEM SEM OLHAR O SINAL, SEM OLHAR PARA OS DOIS LADOS DA RUA, SEM TER CERTEZA QUE NÃO TEM NENHUM LOUCO FAZENDO QUALQUER BOBAGEM, a culpa também foi minha por não prestado a atenção em tudo isso!

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