Iguais

Por: Marianna Abdo

Quem disse que porque somos adultos, deixamos de sentir como crianças? Em algumas situações não crescemos e isso fica claro quando somos magoados ou contrariados. Algumas coisas não mudam.

Gustavo, 5 anos, dividia com a prima a atenção da avó que mora longe. A situação era nova pra ele que tinha acabado de fazer uma viagem sozinho com a avó querida. Depois de tentativas frustradas de ganhar a atenção só pra ele, resolveu apelar para a bagunça. Correu pela casa, puxou o rabo o cachorro, respondeu para o avô e quando não tinha mais nada para fazer, assumiu: “Vocês querem saber a verdade? Eu vou falar, eu vou falar: eu estou com ciúme. É isso mesmo: ci-ú-me”.

Quem nunca arrumou a maior bagunça por sentir seu território ameaçado (para bancar a Leoa)? Quem já levantou discussões faraônicas quando na verdade o motivo de tudo era o danado do ciúme? Eu, ciumenta que sou, confesso que já fiz várias vezes, mas em poucas tive a coragem de assumir do Gustavo.

Outra criança, de aproximadamente 2 anos, chorava magoado pelas palavras duras que a mãe tinha dito em um vagão lotado do metrô. Aquele choro doído, lágrimas grossas, daqueles que doem até em quem vê.

De repente, esqueceu. As crianças sofrem demais e depois esquecem, como nós também esquecemos. Mas, a vontade de chorar ainda estava ali. Ele precisava de atenção e carinho. Então, procurou pelo corpo pequeno um motivo para justificar o choro que não cessava. Apontou para um pequeno ponto, que um dia foi um machucado, mas que hoje já é cicatriz. Desenterrou uma dor.

No sentir, somos todos iguais.

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4 Comentários

Arquivado em Marianna

4 Respostas para “Iguais

  1. Lindo Mari, as crianças nos ensinam muito e revelam nossos mais ocultos sentimentos!!!

  2. Bruna Bueno

    Como sempre muito bom!” Metáforas” bem escritas que por um segundo me lembrou beeem a realidade rs!

  3. A gente sempre arruma desculpas e outros nomes para o ciúmes, né?! É preciso ter coragem para assumir que ñ é outra coisa e, sim, o danado do ciúmes.

  4. Bel

    é como dizem…. “o homem/ a mulher nasce bom/boa… a sociedade o corrompe” (Rousseau) somos sinceros, somos gentis, sabemos partilhar…crescemos e viramos isso. unhas de fome!

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