Sonhar Acordado

Por: Marianna Abdo

Ontem participei do 1º Fórum Sonhar Acordado, realizado pela organização homônima que tem o objetivo de agregar jovens dispostos a ajudar na formação e desenvolvimento de crianças de baixa renda. Não sou voluntária do Projeto, mas o acompanho por meio da empolgação do meu namorado que é um dos sonhadores.

Confesso que minha maior motivação foi a grade de palestrantes: jornalistas, engenheiros, administradores que de alguma forma usaram seu trabalho para influenciar a sociedade e para buscar a realização do sonho mais clichê, admirável e importante: o de mudar o mundo. Mudaram, no mínimo, o seu próprio mundo.

Uma obrigação de padrinho, função tão importante quanto a de um voluntário, não deixou o namorado ir dessa vez. Algumas pessoas acharam estranho eu acordar às 6 da manhã e dirigir sozinha até Valinhos para prestigiar um projeto do qual não faço parte e, talvez, nunca faça. Vai ver é estranho mesmo, já que o auditório enorme do Colégio Porto Seguro recebeu apenas 120 pessoas. Que seja! Que bom que fui.

Nenhum dos palestrantes deixou o cabelo crescer, fez greve, quebrou móveis de estabelecimentos públicos ou conversou de socialismo na mesa do bar. O mudar o mundo deles não é vazio. Eles criaram revistas, abriram empresas, chegaram ao campo base do Everest. Gosto desse mudar o mundo.

Saindo de lá não tive como não questionar algumas escolhas e sonhos meus. Após ouvir tanta gente falando de trabalho social é estranho ver que seu sonho sempre foi o de gerir uma equipe, dar resultados para grandes empresas, vestir roupas sociais de marca, ter uma casa legal e uma família que fique bonita na foto. Eu gosto dessa loucura de escritório, me motiva, me move, me dá adrenalina e prazer.

Pensei muito e fiquei em paz com as minhas escolhas. Meu pensamento de negócios (ou sonhadora, como preferir) me faz pensar que o crescimento de uma grande empresa, de forma honesta e sustentável, também muda a sociedade. Eu ainda acredito que esse crescimento é possível e é ele que vou buscar no meu trabalho. Além de coerência e respeito diários em minhas tarefas de cidadã. Cada um encontra a sua forma.

Um pouco do que aprendi com os participantes do Fórum:

Roberta Faria ajudou na criação da revista “Sorria”, que já arrecadou mais de R$6 milhões para o GRAACC. Para ela, “as melhores ideias são as que usam o que você tem no bolso”.

Antonio Ermírio de Moraes Neto é neto de um dos maiores empresários do Brasil e trouxe para o país o conceito de investimento de impacto, com a criação do primeiro fundo brasileiro de capital para negócios sociais, o Vox Capital. Conheci o conceito e quero estudar mais a respeito.

Luiz Felipe d´Ávila é jornalista e cientista político, idealizador e presidente do Centro de Liderança Pública, organização não governamental, sem fins lucrativos, que se dedica ao preparo e desenvolvimento de líderes políticos que estejam comprometidos em promover mudanças transformadoras na sociedade brasileira e que busquem implementar políticas públicas eficientes e inovadoras. Para ele, “se a resiliência for menor que a ambição, a conta não fecha”. Não mesmo.

Patricio Mendizábal é mexicano e, apesar da ampla experiência como executivo de multinacionais, considera características próprias mais importantes que informações de currículo.

Luciano Pires  é formado em Comunicação e após anos como executivo resolveu seguir seu sonho de ser cartunista. Mas a maior história que ele tem pra contar é a da realização de um outro sonho, o de conhecer o Everest. Ele não escalou a montanha, mas encontrou o que chama de “seu Everest”, o campo base. Foi lá que ele chegou e descobriu que montanha nunca foi um problema, o que sempre o atrapalhou foram pedregulhos. Para ele, “acabativa” é mais importante que iniciativa.

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4 Comentários

Arquivado em Marianna

4 Respostas para “Sonhar Acordado

  1. Isis Calina

    incrivel visão!!!!

  2. Nem seria necessário dizer que adorei!!!!

  3. Ótimo texto, como sempre! Até me ajudou a rever um pouco minhas desilusões atuais…

  4. Me surpreendeu. Dá próxima vez que souber de eventos assim, me chama. É super a minha praia. E agora que percebo de onde vem nossa diferença e nossa semelhança: sonhamos com a mesma intensidade. Mas para lados diferentes. Todas as pessoas são assim. Ainda estou me acostumando com escritórios, descobri que mesmo no 3º setor eles são inevitáveis. Tenho horror a roupa social e na única vez que trabalhei para empresas questionei demais os métodos…. Porém, se não fossem as empresas e seu lucro teríamos muito menos fundações e instituições que ajudassem causas sociais. Mesmo que infelizmente algumas ações sejam mais vitrine que desejo de ajudar, a ajuda chega. Ainda bem que existem pessoas como você, ainda bem que existem pessoa como as do fórum Sonhar Acordado, assim conquistamos mais corações =) bjo bel

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