Arquivo do mês: maio 2012

Dos amigos da infância

Por: Marianna Abdo

Eu era uma criança que desenhava com canetinha em longas tiras de papel higiênico mesmo tendo pacotes de sulfite em casa. Eu me obrigava a escrever uma redação por dia depois da aula. Também organizava meu dia com horários para começar e terminar cada atividade.

Quando ainda não sabia ler, rabisquei um livro da minha mãe e coloquei como meta pintar todas as letras ós do livro de mais de 100 páginas. Nunca consegui.

Quando comecei a ler queria ler a bíblia. Não por motivos religiosos, mas por ser o livro de mais páginas que conhecia. Era um desafio.

Eu era uma criança que lia muito. As palavras eram companheiras da filha única que me tornei.

Hoje eu vivo cercada de pessoas, tenho amigos mais reais e meu desafio é a quantidade de matérias que consegui para os meus clientes. Mas não abro mão da companhia dos livros, da resposta das palavras e do moleskine com os títulos lidos e ainda desejados.

De todos os meus amigos de infância, os que quero apresentar para os meus filhos são:

A casa sonolenta (Andrey Wood) – O mais lembrado. Perdi as contas de quantas vezes folheei. Era o preferido do meu irmão e talvez por isso eu goste tanto. Confesso que tinha um pouco de medo da ilustração. A velha e o menino me causavam estranheza, mas não resistia ao despertar da pilha de dorminhocos.

O joelho Juvenal (Ziraldo) – O nome do joelho já era o suficiente para encantar, mas Ziraldo é sempre uma superação de encantamento.

TintinoO espetáculo continua (Chico Xavier) – O palhaço que morria atropelado e chegava ao céu, um lugar cheio de alegria. Porque falar de morte para crianças não é um erro.

O menino maluquinho (Ziraldo) – Clássico! Eu tinha uma edição de bolso toda desenhada em giz de cera. Mesmo com a capa solta era o nosso preferido. Para sempre na minha estante de adulta.

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