Uma coisa por vez não existe

Por: Marianna Abdo

Agora ele decidiu ser namorado. Mas não meu namorado. Ele já foi estudante e quando foi passou nos vestibulares das melhores universidades do país. Ele também já foi padrinho e deu tanto, tanto amor. Quando foi filho a presença foi tanta que criou pais dependentes. Mas agora ele decidiu ser namorado. Não por excesso de amor. Só porque só pode ser algo. Só um algo.

“Uma coisa por vez”, ele grita para o mundo. Como se essa vida aqui permitisse isso.

Uma coisa por vez não existe nem no sexo quando tudo te invade e você não abre mão nem do cheiro, nem da pele, nem do olhar, nem dos gemidos, nem do gosto. Uma coisa por vez não existe nem na vitória quando há aplausos, abraços, inveja e a expectativa da próxima. Uma coisa por vez não existe nem no nascimento com a palmada, o choro, o banho e o seio.

Há que se viver com todas. Todas as alegrias e frustrações. Todas as manhãs de café, e-mails, cobranças, resultados, prazos. Há que se viver sendo tudo: profissional, filho, pai, homem, estudante, primo, amigo, padrinho. Há que se viver pra elas e não pra essa ou aquela.

“Uma coisa por vez não existe, meu amor”. Ouviu, entendeu e provou. E por isso foi embora. Foi ser só namorado. Não por falta de amor. Só porque só pode ser algo. Só um algo.

 

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4 Comentários

Arquivado em Marianna, Uncategorized

4 Respostas para “Uma coisa por vez não existe

  1. Lindo,Marianna… parabéns por ser a pessoa linda que é… por mais que a vida nos encha de pancada…que sejamos fortes… e que venha TUDO DE UMA VEZ!!!! Saudades!!!!

  2. Fábio Augusto

    Oi Marianna!

    Como um admirador secreto do seu blog, além de parabenizar pelos seus ótimos textos, acho que todo princeso que vira sapo precisa sempre da verdade para poder vai cair na real e saber que é só um príncipe… no máximo! Manda esse texto pra quem merece mesmo!

    • Adorei as conexões com os outros textos que você fez no comentário.
      “Achei que era princeso, mas era só um príncipe” rende um ótimo texto hehe
      Beijos!

      • Fábio Augusto

        Às vezes tenho a impressão que as pessoas são no máximo príncipes mesmo e o excedente é apenas algo como cantado pela Zélia Duncan…
        “Eu não sou eu, Sou alguém que você imaginou, Uma visão do seu amor”

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