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Tem aquela idade

O-tempo-voa-Relógio-CriativoTem aquela idade que todos convidam para as festas de 15 anos. (Antes disso eu não reparava nesse tipo de coisa). Tem idade que todo mundo tem um trabalho voluntário, um orfanato para ir.

Tem aquela idade que todos estão contando como foi o trote na faculdade. Tem aquela idade que todas estão em busca do vestido de formatura, e começam a chegar os convites para as mesmas.

Aquela idade que as avós de todo mundo começam a morrer. Depois os cães de estimação, ou gatos. Até os peixeis. Todos resolvem morrer na mesma época.

Tem aquela idade que todos parecem ter um chá bar/de cozinha/ de lingerie para ir. Tem aquela idade que após os chás de cozinha, todo mês tem um chá de bebê….

Tem aquela idade que os amigos começam a ir morar longe, os primos tem filhos e começam a não vir mais nas festinhas. Você começa a não ter mais tempo para as festas, ou para os filhos, ou para os outros parentes, ou para o trabalho.

Tem aquela idade que os professores começam a morrer. Pior que as avós. Porque as avós vocês sempre viu velhinhas mesmo. Mas os professores, de mestres viram colegas, e colegas parecem ter todos a mesma idade. Colegas são imortais…

Então, as vezes após os professores, as vezes antes, os pais de todo mundo começam a morrer. Ai as mães. Dos seus amigos de infância, dos primos dos seus amigos, do seu namorado/marido/caso…. Pais e mães deveriam ser imortais. Mas assim como os professores e colegas, não são.

Chega uma idade que as conversas de rodas de amigos – quando se encontram nas folgas dos filhos, família, trabalho – tem sempre o mesmo começo “Sabe quem morreu?”.

É nessa idade que a gente se preocupa com a própria morte.

(Izabel M. Meo)

Achei a foto aqui.

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O que poderia ter sido

2015-01-27 06.21.388 anos, 7 meses e 24 dias.

Certas músicas vem na minha cabeça do nada. Músicas alegres quando quero ficar triste, músicas tristes quando luto para ficar alegre.

Quando minha cabeça está prestes a explodir diante do mundo que eu conheci, e você não, você vem e me lembra que existiu.

Conforme o tempo passou eu fui esquecendo o seu dia. Agora eu lembro muito antes, ou muito depois.

Hoje me lembrei de você. Ao contar quantos dias você me deixou percebi que eles não tem sentido lógico. Somando todos dá 3, mas somente o dia 6 me assombra.

Minha mãe sempre disse, antes de você me deixar inclusive, que “quem acredita em Deus não tem medo de assombração”. Você não me assombra, sua lembrança é doce. Sua voz, quando ecoa na minha cabeça, é muda. Só lembro do seu sorriso.

Ainda assim, tenho medo. Tem dias que peço “não venha”, mesmo sabendo que você nunca virá. E foi você que escolheu isso.

Tem tanta coisa que eu queria contar! O mundo girou tantas vezes desde a última vez que conversamos. Eu mudei tanto! Aconteceu tanta coisa! Pessoas tomaram seu lugar no mundo dos vivos para preencher minha vida, e hoje, 8 anos, 7 meses e 24 dias depois eu fico pensando, o que teria acontecido se você ainda estivesse aqui?

http://grooveshark.com/s/Who+Knew/56fpdK?src=5

http://grooveshark.com/s/If+I+Die+Young/4cBVyF?src=5

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Metas

A Iza2014-11-19 13.43.40 Espelho no Salão de Baile do Museu da Revolução - Havana - Cubabel de 13 anos veio lembrar a Izabel de 26 que ela queria ser escritora – e famosa – antes dos 30 anos. Ai meu Deus que eu só tenho mais quatro! (Agora fico feliz que escolhemos o nome desse blog para 20 e TANTOS, não 20 e poucos. Mais 4 anos e saio dessa ‘casa’ onde sempre quis estar).

Engraçado sempre querer chegar aos 20, mas ter feito metas a partir dos 30. Por exemplo, eu queria casar com 30, dar a volta ao mundo com 33, ter filhos com 35… Mas foi durante os 20 anos que eu conquistei tantas coisas que nem me dei conta (e fui deixando mais longe o sonho de ser escritora – e famosa).

Eu tinha 20 anos quando me formei na faculdade. Eu tinha 21 quando arrumei o primeiro emprego registrada. Eu tinha 23 quando cruzei o oceano, de avião, e viajei com uma das minhas anjas da guarda, numa loucura tanto social quanto financeira da qual não me arrependo. (Paris) Eu tinha 24 quando disse sim a um sonho que sonhei junto com o Rafael (nosso noivado). Eu tinha 25 quando terminei uma pós graduação suada, que não ‘mudou minha vida’ como eu esperava, mas me deu chances de conhecer uma atividade pela qual me apaixonei e quero investir muito tempo e dedicação para fazer acontecer em 2015 (facilitação gráfica). Eu tinha 26 quando sai de mãos dadas com o amor da minha vida (casamento) e fomos conhecer um país novo, somente algumas semanas antes de muita coisa mudar por lá (Cuba).

E agora, às vésperas de 30 (quatro anos passam voando, viu?), eu me pergunto porque não escrevi sobre tudo isso enquanto isso acontecia… Mesmo tendo esse blog lindo, ao lado dessas meninas incríveis, eu deixei de lado a criatividade, a reflexão e meditação que a escrita sempre me permitiram para fazer outras coisas… Mas que outras coisas?

A Meta para 2015 é criar mais.

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Linha Tênue

Dizem que existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. Dizem que esses seriam os sentimentos mais próximos e mais extremos ao mesmo tempo. Eu acredito que existe uma linha tênue em tudo que nos somos, fazemos e acreditamos.

Existe, por exemplo, uma linha tênue entre contar um história e fofocar. Pra cá, é só contar um causo, seu ou de alguém próximo, mesmo algo bem bizarro que aconteceu com o amigo, da namorada do primo do seu vizinho.

Pra lá está aquela pontinha de maldade de todos nós, pessoas legais, jovens, descoladas, que pagamos nossos impostos, compramos bala no farol, chocolate no trem e ainda ajudamos velhinhas a atravessar a rua, temos. Aquela pontinha de maldade de contar, ou pior, recontar aquele comentário desnecessário que alguém fez e já virou motivo de falação por trás da pessoa.

Existe uma linha tênue entre a amizade e o coleguismo. Do lado de cá, aquele perdão automático, aquela franquesa, aquela mania de mesmo no terror ver graça em tudo e dar um jeito em tudo.

Do lado de lá, o fato de só lembrar quando precisa, só chamar quando não tem jeito, só conversar quando está de bom humor. A arte de suportar as pessoas é a tinha tênue. Colega você suporta, amigo você é. E você também pode ser amigo de uns, ser colega de outros, entenda, não dá para ser amigo de todo mundo.

Existe também, meus caros e minhas caras, a linha tênue entre o líder e o chefe. É minha gente, não existe chefe só no trabalho, e não existe líder só na queimada (aquele jogo que a gente tinha que queimar, ou proteger, a abelha rainha). Apesar de acreditar muito na anarquia como modo de organizar as coisas, líderes são bem-vindos para mim. Principalmente quando todos tem um chefe, e seus chefes tem um chefe e assim por diante. Não dá, pelo menos não agora, para anarquizar com um setor, liderar outro e chefiar outro. Ou é tudo no mesmo padrão ou não é padrão nenhum.

Mas voltando a linha tênue, não vou ficar explicando as diferenças tênues entre líder e chefe, podem procurar qualquer matéria da Você S/A que lá tem dúzias e dúzias de matérias sobre isso.

Onde mais há uma linha tênue? Ah! Entre a brincadeira e a xacota, entre não poder fazer e fazer corpo mole, entre permitir e ignorar.

Tem uma frase que uma amiga (que até hoje me inspira com suas atitudes) disse certa vez e eu odiei, afinal, a carapuça serviu e quando carapuça serve você deixa de amar e passa a odiar. Uma frase bíblica do Apocalipse, que, veja só, é a linha tênue entre o céu e a terra. O Juízo final.

“Seja quente, ou seja frio. Se for morno, te vomito” Apocalipse 3:15-16

Traduzindo, tome partido, saia de cima do muro, da linha tênue. Seja uma coisa, ou seja outra. Pode até mudar de ideia no meio ou no fim do percurso. Mas, por favor, não seja morno.

valores invertidos
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amar

As vezes acho que as pessoas amam tanto a gente, que nos sufocam.

 

Não deixam a gente ser o que a gente é.

 

Mas não é por mal, é por amor.

 

Dai, nesses casos, o amor mata.

 

Não no sentido literal.

 

Deu pra entender?

 

 

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Experiência, sabedoria…

A voz dela e a entonação ficarão em minha memória por muito tempo, se Deus quiser. E acho que a ouvirei dizer isso muitas vezes ainda.

Praia, sol, chuva de tarde. Um fim de semana na praia que podia ter significado muito ou quase nada, só mais um?

A tia do meu namorado conversava com a gente antes do almoço. Ela tinha andado mal, pegou uma infecção de urina e teve que correr para um hospital público em b Bertioga pois nenhum particular atendia seu convênio.

– De que adianta a idade? De que adianta ficar velho? Nada. Só ficamos velho, ninguém nos ouve, não entendemos nada que se passa no mundo, ou entendemos pouca coisa. Dai, vem me falar de “experiência” e “sabedoria”… Pra quê? Pra que aprender tudo e quando vamos ensinar, usar nossa experiência, nossa sabedoria ninguém da bola! Os mais jovens acham que não falamos nada com nada, que não entendemos… Que no nosso tempo as coisas eram diferentes! Eram mesmo! Não tínhamos experiência, nem sabedoria…

Foi uma conversa casual, regada a risadas e beliscando comidinhas até todos voltarem da praia para almoçarmos. Mas em outras duas situações naqueles dois dias a Tia fez o mesmo comentário, após alguma ação de um de nós, os “jovens”:

– Viu, Izabel, experiência….sabedoria….

Aquilo ficou como tatuagem na minha cabeça. Não saiu mais e faz uma semana que todos os dias, em algum momento do dia eu penso nessas duas palavras e na entonação triste, porém irreverente que a Tia usou para lamentar aquilo que estava acontecendo e daqui para frente so iria piorar….E ela nem tem 50 anos!

Pensei nos meus avôs. Meu avó, a pessoa mais inteligente que conheci, que agora sofre e faz sofrer com o Alzheimer. De fato, não fala nada com nada. Mas quando eu nasci ele já era assim “velhinho” e eu já achava que ele não entendia as piadas, as novelas, as minhas histórias na escola. Mas ele entendia, hoje eu sei, só que era diferente. Era diferente das piadas na língua dele e da escola que ele frequentou na Itália. Só isso, diferente.

Minha avó também, apesar da idade avançadíssima cuida dele e das loucuras dele com a ajuda da minha mãe e do meu pai. Eu achava que ela não entendia que eu tinha amigas no colégio, ou que eu achava que sabia me cuidar sozinha (eu não sabia, acho que ainda não sei 100%…)

Que idiota, né? E olha que eles ensinaram muitas coisas para nós, apesar de nossa arrogância. Mas hoje, que eu entendo que eles tem muito mais a ensinar, eles estão confusos. Hoje que eu preciso, que eu faço perguntas diretas de “como fazer”, “onde foi”, “ainda temos” recebo respostas vazias, respostas a perguntas que não fiz, história nitidamente inventadas e o pior: exaustivamente repetidas.

Nossa, como é triste. De que adianta ficar velho?

Quem ler isso, por favor, aproveite a experiência e a sabedoria de quem ainda pode te responder e orientar….

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Já que o mundo não acabou…

Pode parecer que não, mas eu sempre estive à procura. Meu coração inquieto nunca soube bem se decidir sobre nada. Amigos alguns, empregos por um tempo, gostos e manias então ganhei vários. Meu coração grande e bonachão, modéstia a parte, sempre arrumou espaço para “mais um” nessa trupe de circo que são minhas emoções. Pois a inquietude ficou sem palavras quando conheceu a tranquilidade do Rafael. Ela até tentou derrubar tudo logo no começo a amizade, colocando outras curvas nessa estrada. Eis que um ano depois do trauma e dois da perda de alguém muito especial, que meu coração se abriu para alguém que merecia ter sido o primeiro e único. A inquietude quis abalar a calmaria como pode: viagens, brigas, ciúmes, diferenças. Mas não teve como. Deus sempre sabe que o nosso coração quer de fato. E minha trupe circense montou seu picadeiro em outro coração que lhe deu tanto amor, que ela nunca tinha recebido de alguém que não fosse do seu sangue (ou tivesse te conhecido antes de ficar bem chata – eu tô bem chata ultimamente). Meu coração é enorme. Ainda cabe Deus e todo mundo. E sempre caberá. Porém, dirigindo o circo ao meu lado temos outro coração gigante. Apesar de desconfiados, nos completamos. Almas gêmeas nos achamos. Que seja eterno enquanto dure.

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p.s.: fui pedida em casamento. Dia 21/12/12 às 21h12. Já que o mundo não acabou…

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