Arquivo do mês: julho 2011

A lição de quinta

Por: Marianna Abdo

Lição dessa quinta-feira: “Foi fácil ‘trocar’ porque significava muito”.

Difícil entender, mas faz sentido…

 

 

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Um dia feliz, as vezes é muito raro…

Um dia feliz até pode ser raro em nossa vida. Por quê? Porque se prestarmos a atenção iremos notar que temos dois, três, sete 365 dias felizes.

Sábado eu acordei com um mal humor que não era meu e fui a última acordar na casa. Outra coisa rara. Deve ser porque na sexta assisti ao show da banda Cascabulho no SESC e na quinta assisti a peça Se uma Janela se Abrisse em outro SESC. A banda veio de Recife e mistura rock com um pouco de música regional com aquele sotaque gostoso. A peça questionava de forma cômica, a informação que os telejornais passam todos os dias para a população. Eu não sei se ria mais das notícias “importantes” reveladas pelos dubladores, ou do sotaque. (dois sotaques em dois dias!)

Bom, acordei. A auto-escola não atendia ao telefone e eu estava sem vontade. Já achava que o dia ia ser um lixo, pois minha mãe achou melhor eu não ir na minha avó e resolveu almoçar na casa de uma tia, supostamente gripada e meu deixou fazendo o almoço. Depois minha irmã insistia para eu lavar a louça, tomar banho e me arrumar muito para a festa de aniversário do amigo do meu namorado.

Ele é super gente fina, mas eu estava morrendo de vergonha por não conhecer ninguém além dele e do meu namorado. Estava de vestido vinho, meia calça daquelas poderosas que seguram tudo (eu chamo de “meias da Beyoncé”) e botas. Muito arrumada para um almoço de aniversário. Maaaaas, quando minha irmã está em casa, ela manda em meu guarda-roupa sem eu nem perceber.

Daí, a festa estava legal, perdi a timidez, dei várias risadas e quando estávamos gargalhando com as histórias das viagens dos casais por alí minha irmã ligou:

– Ei,vocês vem jantar em casa? Vou fazer pizza. Vem logo.

– Ah, ainda não acabou aqui. Jajá eu vou…

Dali dez minutos minha mãe ligou

– Olha, a pizza tá pronta e eu vou comer sem você!

Uma luzinha acendeu em minha mente. Meu aniversário tinha sido na segunda, e não fizemos festa. Aliás, tínhamos combinado de não fazer festa este ano. Juntei dois mais dois e deu cinco, pois eu fui narrando as atitudes da família durante o dia e o ator que é meu namorado me enganou direitinho: concordou comigo.

– É os indícios são fortes….

– É melhor eu não fantasiar muito, pois pode ser tudo da minha cabeça…. – encerrei.

Cheguei na rua de casa ainda descrente. Por causa de um caminhão intrometido tivemos que esperar para fazer a curva e eu consegui ver todos os carros dos meus primos na rua de trás, mas tudo bem, eu não vi as placas.

Entrei em casa e vi:

Bexigas, minha coleção de sapos de pelúcia e….. MEUS AVÓS SENTADOS NO SOFÁ. Ué? Cadê todo mundo? Em dez segundos de semidecepção e imaginando o que todos aqueles carros faziam lá na rua de trás e todos saíram de dentro do meu quarto gritando SURPRESA!

Foi lindo! Eu adorei! Obrigadinha a todas as minhas tias amadas, minhas primas lindas, meus primos que não puderam vir mais tudo bem, meus avôs que não irão ler isso, minhas amigas, minha mãe e meu pai lindos e minha blaster, master, power, plus IRMÃ!

Para completar domingo ainda levei os sobrinhos para passear no SESC….E como não deu tempo de ir ao teatro (de novo) curti um cineminha só com o namô. (Que sabia de tudo desde quarta-feira e me enganou direitinho. Amo você!)

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Dois faz Cem

Por: Marianna Abdo 

A entrada e a saída das pessoas em nossas vidas se assemelham muito ao movimento de um velório. É só estar na posição de um parente do morto para perceber essa semelhança. 

Algumas pessoas entram e saem sem você sequer perceber. Outras, até se apresentam, mas segundos depois você já esqueceu o nome.

Das que te oferecem ajuda, um abraço e a famosa frase “pode contar comigo para o que precisar”, 90% desaparecerão naquele dia, 5% após a missa de sétimo dia, 3% te ligarão durante um mês e apenas 2% estarão com você para sempre. 

E é sobre esses 2% que eu quero falar hoje. Quem são seus 2%? 

Os meus são cinco pessoas e uma luz. Sei que sou privilegiada por isso. Conheço pessoas que não contam com uma e eu tenho cinco corações, 10 mãos fortes, cinco olhares atentos, cinco bases. 

Tenho um olhar que me segurou numa madrugada – dessas que tem gosto de vodca e lágrimas – e disse: Tira isso da sua cabeça, chega. Não obedeci, mas desde então essa frase grita dentro de mim todos os dias e sei que ela diz o que eu devo buscar. 

Tenho uma base que segurou as minhas mãos num vagão do metrô e não disse nada, mas me fez um bem danado. 

E tenho em cada gesto meu, as digitais de seis mãos com poder de calar, curar e reviver. A textura de duas delas não combina com sua idade, a mais fina que já toquei. As outras duas carregam toda a sua força, disciplina e determinação. O outro par é de uma fada e elas já me tocam desde antes de eu sair do seu ventre, é a mais forte delas. 

E tenho a luz que mora aqui dentro. Com seus grandes olhos negros que se parecem bastante com os meus. 

E pra mim a vida é essa louca equação em que 2% é igual a 100.  

100 que não te fazem frágil, mimada e “princesa em uma fortaleza”. 100 que te fazem forte, que te levantam da cama e te empurram pra guerra. 100.

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Eu não conhecia Amy

Por Juliana

Em nenhum sentido. Não era amiga íntima, prima distante e nem fã. Chuto que não sei quais são as músicas dela se me colocarem pra ouvir aleatórias. Exigo respeito pra minha ignorância. E faça o favor de respeitar a morte dela também.

Assim como fui contra aquele bando que comemorou a suposta morte do Bin Laden, discordo de besteiras que ouvi de novo por aí. Vejam vocês que discursos são plantados de algumas cabecinhas nada férteis e reproduzidos incansavelmente.

No metrô: “Já vai tarde. Mau exemplo. Tenho adolescentes em casa.”

No facebook: “Não lamento a morte de que não cuidou da vida.” Algo assim.

Na TV: “Uma vida levada ao limite.”

Poderia falar de vários aspectos, mas pra não ficar post-Bíblia vou focar um só:  desista, ninguém conhecia Amy. Simples assim. Nem a gente se conhece 100%, que dirá os outros?

Atire não uma pedra, mas um meteoro em cima de mim se você nunca se viu perdido, aflito, confuso, indeciso, com medo, numa situação desequilibrada.

Não é apologia. Se droga fosse bom teria outro nome, mas você sabe os motivos pra ela beber, fumar, cheirar e sabe-se lá mais o que? Você sabe os próprios monstros que ela enfrentava todo dia? Sabe se dinheiro e fama satisfaziam? Ou qual era o real controle que ela conseguia exercer sobre a própria vida? Se ela não teve ou não quis ter (vai saber) força ou vontade pra encontrar outro caminho, o que eu e você temos a ver com isso?

Quer dizer então que se a Sandy-vida-exemplar morrer o discurso moralista da senhorinha do metrô vai ser diferente? Não entendo. Se queremos debater o uso de qualquer substância que altera nosso equilíbrio a um ponto que não conseguimos ter controle, válido. Porém, julgar por julgar, condeno totalmente porque não leva à transformação nenhuma.

Respeito a tristeza dos fãs e sei que continua a admiração pelo trabalho dela. Aos outros, como eu, incluam respeito nas palavras ou fiquem em silêncio. Vá cuidar dos seus próprios monstros e depois me diz se foi fácil.

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Feliz dia do Amigo

Vou dividir com vocês uma mensagem linda sobre cães e amizades. Muito fácil de ler, mas difícil de aprender.

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De novo, a confiança

Por: Marianna Abdo

Você não liga para as minhas unhas roídas. 

Se liga, não fala. 

Isso já é muito. 

Passei a vida ouvindo longos sermões cada vez que voltava a roer as unhas. Sei que é feio. Não faço porque quero. Sim, prefiro longas e vermelhas. Vou parar assim que der. 

Quando pegou minha mão, pensei em recolher. Não gosto que vejam. Foi então que meu peito se encheu daquela intimidade gostosa, daquela sensação de estar em casa. Aqui, eu posso. 

E é por isso que quero passar a vida com você nela. É por isso que entendo esse desejo de te ver em momentos de unhas longas e vermelhas e de doloridas e roídas.    

E isso poderia ter muitos nomes. É o que alguns chamam de amizade e é o que chamamos de confiança. De novo, o presente da confiança.

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São Paulo, terra boa

Por Juliana

Há algum tempo minhas semanas tem carinho, surpresas ruins, saudade, falta de tempo etc etc etc, mas no meio de tanta bagunça o que eu desejava era mato.

Ontem fui conhecer o Parque Estadual da Serra da Cantareira, do ladinho do Horto Florestal. Fiquei encantada com a quantidade de velhinhos fofos subindo a trilha da Pedra Grande que, confesso, roubou meu fôlego algumas vezes.

Cheirinho de grama, raios de sol, passarinhos, hum.. Depois de passar pelo portão do parque, esqueci que estava em São Paulo e fui lembrar só lá em cima, quando a vista da cidade compensa a subida.

No meio do caminho, um grande lago reflete as árvores que quase repousam nas águas. Amigos fazem piquenique e casais tiram aquela soneca na sombra dos galhos. Com sorte dá pra ver bugios e esquilos. É realmente um passeio fantástico.

Existe uma paz na natureza, não sei se ela me responde ou me faz perceber que não preciso de respostas, mas, seja o que for, traz um bem incalculável aqui pra dentro.

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